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Á toda mãe que hoje chora

  Toda vez que corto cebola eu me lembro das mulheres que conheço, e que já perderam um filho. Não sei o que acarreta ou qual a relação entre a cebola e elas. Talvez seja porque a cebola faz chorar, e eu sei que como eu, elas choram todos os dias. Talvez em segredo, assim que se deitam para dormir, ao despertar, no banho ou em qualquer entrave de lembranças. E as lembranças não tem jeito, escorrem pelos olhos. Sempre! Eu defino essa dor, se fosse possível traduzi-la em palavras, como que se alguém enfiasse as duas mãos pela sua garganta, as empurrasse até seu intestino grosso; e de lá viesse arrastando tudo de volta boca à fora! É assim, a dor de estar vazia e sangrando por todos as partes possíveis e impossíveis. E depois desse procedimento dilacerador, estranhamente você não morre. Mas também não vive. Eu por exemplo, de vez em sempre ouço a voz do meu filho me chamando, “mãe! ”, nitidamente. Por frações de segundo eu procuro, daí eu lembro que o nunca mais é para todo o semp...

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